15.12.09

Pedido

-Dorme comigo essa noite?

Ele demora a responder,
Percebo que seus lábios se entreabrem,
Mas logo após de fecham,
Sem nada pronunciar.
Seus olhos ainda fitam minha boca,
Sinto a mesma secar.
Estamos um pouco ofegantes,
Sem o corpo, conseguir controlar.
E neste interim,
Peço meu último cálice de vinho da noite.
Ele, faz o mesmo.
Bebemos juntos, sem parar de fitar um, ao outro.

-Dorme comigo essa noite?

Me atrevo pela segunda vez.
Ele segura minhas mãos,
Beija uma delas,
E me conduz até seu automóvel.
Ele abre a porta,
Me sento sem uma palavra a dizer,
Ele,
Em seguida entra.
E o trajeto, nem sei qual foi.
Sei apenas,
Que acordei no meio da madrugada,
Com mais um beijo,
Que agora, ele me dá,
Em alguma cama,
De algum hotel,
Este,
Que não me recordo no momento.

Marina Queiroz

24.11.09

Som da Chuva

Você está escutando o barulho da chuva?
Está quase que impossível não reparar.
Fecho meus olhos,
Me imagino na calçada,
Tomando essa mesma chuva que ouço,
Olhos ainda fechados,
Está me dando uma vontade louca de chorar..
Na rádio?
Algum rock clássico,
Aquele em que a guitarra soa triste a música inteira, mas depois, se alegra,
O som agora está mudando um pouco,
Um misto de garoa e vento..
Hoje houve um fato estranho,
Não consegui sentir o cheiro da chuva,
Como sempre acontece,
Se bem que não seria assim tão estranho,
Meus sentidos andam me sabotando com uma frequência assustadora.
Marina Queiroz

14.11.09

Armação alheia?

Eles vivem me dizendo o que devo dizer,
Eles vivem me dizendo o que devo fazer,
Eles vivem me dizendo como devo me portar,
Como devo conversar,
Até mesmo, o modo como devo olhar.

Eles só me esquecem de dizer o que não posso pensar,
Ou o que penso em falar,
Ou como eu não posso agir longe de toda essa palhaçada.

Mal sabem eles, que por trás de tudo isso, estou armando a maior bagunça,
Para acabar com todos esses malditos da sociedade,
Que para mim,
Não passam de uns alheios, sem emoção na vida, envelhecendo dia após dia,
E eu,
Eu só dou risada das tolas e estúpidas atitudes,
Mal sabem eles que não acordarão no dia seguinte,
Não irão degustar o café da manhã requintado de todo dia,
Não irão dirigir seus carros caros e finos,
Não irão sentar em frente ao computador de última geração que está sobre a mesa de escritório de madeira fina.
Não irão!!!

E eu?
Eu continuo aqui,
A rir destes tolos,
Continuo a rir da falta de dinheiro,
Do excesso de cerveja,
Da criatividade que anda aflorada,
Das longas conversas,
Dos bate-papos de sacanagem,
Das risadas encantadoras,
E das luzes da cidade, que eu pensei que não se acabavam,
Mas que me pegaram de surpresa um dia desses...



-Marina Queiroz

2.11.09

Último Trago (?)


Roda tudo rápido,
Roda tudo em diversos ângulos,
Não consigo me focar em nada,
Não consigo olhar para nenhum olhar específico,
A luz está intensa,
Sinto minhas pernas adormecidas,
Mas não quero sair daqui,
Tal picodelia está me dando um certo e estranho ânimo,
Tateio meus bolsos à procura do meu maço de cigarros,
Merda,
Meus cigarros acabaram,
Alguma alma pode me arrumar um último?
Merda,
Não tem ninguém fumando aqui,
Meu estômago revira,
Minha boca está seca,
Tomo um violento gole de cerveja,
Mas ainda não bastou,
Saio andando meio turva,
Olhando para todos e nada enxergo,
Nenhuma desgraçada bituca,
Nenhuma fumaça,
Cadê o cheiro do tabaco?
Inferno!
Estou me perdendo,
Meus joelhos estão perdendo a força ainda mais rápido,
Estou caindo...
De repente,
Quando não sentia mais nada,
Tomei um puxão violento,
Fazendo eu subir novamente àquela superfície psicodélica,
E sem ter tempo algum,
Senti minha mão entrelaçada à este estranho (a),
E sem me importar,
Fui,
Passamos por uma pequena cortina de veludo marrom,
Velha, e encardida,
Eu ainda não enxergava muito bem o estranho (a),
Sei somente,
Que segundos depois,
Havia um cigarro na ponta de meus lábios,
E o fósforo brilhava fraquinho,
Acendendo aquele cigarro que eu não sabia de onde vinha,
Mas após o primeiro trago tudo mudou,
E eu voltei a respirar novamente,
Voltei a querer beber,
Beber meu último gole de cerveja,
Tragar o meu último cigarro,
E roubar o último beijo da noite,
Antes de sair daquela loucura,
E ir parar em um lugar desconhecido,
Aliás,
Como foi mesmo que eu cheguei em casa?
(risos)
Acho que estou me lembrando...
Digo mais,
Me lembrando de quase tudo,
Inclusive, de...
Bom dia!

31.10.09

Cantinho do Bar

Nada como uma boa roda de violão, amigos que fazem a diferença, conversa animada, repertório ainda melhor, e risadas, quilos de risadas...
Foi tudo muito bom, tudo muito bem, tudo muito divertido. Há um tempo eu não me sentia tão feliz em uma roda de amigos, digo feliz de verdade, no sentido literal da palavra. As vezes meio estando em meio a amigos queridos sinto como se algo faltasse, mas ontem estava tudo exatamente do jeito que eu gosto, sem nada a mais, nada a menos, a famosa arte do improviso. Sinto falta disso, sinto falta do clima que rolou ontem, das conversas, de todo o diálogo e piadinhas de duplo sentido. Foi ótimo!
Precisamos marcar a próxima!!

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Cantinho do Bar.

No cantinho do bar,
Na mesa mais apagada,
Com a cerveja barata,
É que vou parar.

No cantinho de bar,
Com um violão vagabundo,
Próxima à um moribundo,
É que vou parar.

No cantinho do bar,
Com a música mais triste,
O sorriso mais contente,
É que eu vou parar.

No cantinho do bar,
Com o mais insano e lunático,
Arfando com um olhar enfático,
É onde vou estar.

Esperando somente por mais uma garrafa de cerveja,
Olhando toda a beleza,
Daquele cantinho de bar,
Onde eu, com todas as opções,
Irei parar.

-Marina Queiroz

27.10.09

A Hora

Loucura,
Correria,
Pressa,
Ansiedade,
Pensamentos à mil...
É a semana começou assim, na correria, os preparativos para o Hallooween andam dando trabalho, mas se que no final vai valer a pena, o tempo anda passando rápido, e tudo relativamente atrasado, enfim... cositas mil.
Mas está tudo bem, tudo em seu lugar, pensamentos? Loucos e insanos. Amigos? Por aqui ou ali, quem sabe. Casa? Bagunça. Vida amorosa? Vai muito bem, obrigada. Eu? Bem, eu, ando por aí...

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A Hora

Preto,
Branco,
Na calçada.
Preto,
Branco,
No sofá.
Preto,
Branco,
Na minha cama.

Desejo que vem de repente,
Sem dar opção de escolha,
Sem proporcionar outra visão,
Desejo esse que não me deixa em paz,
Que me incendeia à cada novo dia,
Desejo esse que consome parte de minha funcionalidade,
Que me faz querer mais e mais,
Me faz insaciável.

Preto,
Branco,
O relógio.
Preto,
Branco,
A fechadura.
Preto,
Branco,
A sua cama.

O seu lugar,
Tudo no lugar?
Fora do lugar,
Aqui dentro,
Vem...

-Marina Queiroz

25.10.09

Filminhos e afins.

Confesso, eu fiquei mesmo um tempinho sem postar, (mouse maldito!), mas agora está tudo ok, pelo menos, eu acho.
Vida agitada somente aos fins de semana, mas não reclamo, anda tudo muito bem, muito bom, nada perfeito, mas tudo com cores diferentes.

Domingo passado fui ao teatro, e não poderia deixar de comentar. A História de Muitos Amores, é de uma companhia que está em cena desde 2003. A princípio não dei muita coisa, mas quando de fato a peça começou, eu me apaixonei, o cenário é simples, mas com arranjos e detalhes muito bacanas, a iluminação muito boa, texto limpíssimo, com um ar singelo magnífico, figurino lindíssimo, a produção está de parabéns!
Ele irão se apresentar até o final de Novembro (se não me engano), as apresentações são de quinta a domingo, de quinta e sexta a entrada é franca, de sábado e domingo 10r$ inteira, 5r$ meia entrada. No Teatro Ruth Escobar (SESI). Vale a pena conferir!

Na terça, resolvemos ir ao cinema, sim, eu matei aula, mas foi ótimo!! Fomos assistir Ugly Truth (A Verdade Nua e Crua), a verdade é que estávamos meio receosos, porque parecia ser mais um filminho a la "sessão da tarde", mas eu particularmente me surpreendi. É uma comédia romântica, mas o texto é engraçadíssimo, e o elenco é muito bacana. O filme garante boas risadas, e reflexão sobre o modo de vista masculino (risos), recomendo!

Ontem foi bem de improviso, a idéia era passar a tarde em um parque, mas acabamos no shopping, mais especificamente, no cinema, não se tinha muitas opções de filmes, mesmo porque, os que estão em cartaz não andam lá essas coisas, mas acabamos por optar por Jennifer´s Body (Garota Infernal), escolha pior não poderia ter sido, o elenco em si já não é aquela coisa, os cenários foram tranquilos até, nada de absurdo, mas o texto em si, péssimo, sem qualidade alguma, a história fica vaga. Os efeitos especiais tão bizarros quanto o texto, cenas de sangue e vômito de uma gosma estranha, foram o mais tosco. Mas enfim, eu sei que é um pecado comentar de um filme desta forma, mas este não tem como elogiar, a não ser que se fale da atriz principal, que é linda. Mas também, para por aí.


Ah, o fim de semana foi bom, proveitoso (tirando o filme acima...risos), mas foi bem gostoso. Saí de casa, ufa!
Acho que irei ficando por aqui hoje. Amanhã começa oficialmente (para mim), a 33º Mostra de Cinema Internacional, quem quiser conferir a programação: http://vejasaopaulo.abril.com.br/materias/33a-mostra-internacional-cinema-505904.html
é sempre bacana conferir os filmes, mesmo porque a entrada é franca, há filmes de praticamente todos os países, diretores que valem a pena conhecer o trabalho, e além do mais tem como agradar a todos os públicos e gostos.
That´s it!

17.10.09

Picture


Acho que é mais ou menos assim.

Mente, não mente, desmente?

Pensamentos assombrando novamente,
Palavras mil que querem sair sem poder,
Atitudes que querem mostrar algo,
Infelizmente um tanto inoportuno.

Porque te querer, me faz mal, somente isso, muito mal.

O olhar que insiste em perseguir,
O olhar que insiste em me investigar,
Já não posso mais com isso,
Já não quero mais enxergar.

Porque te querer, me faz mal, somente isso, muito mal.

Planos?
Todos.
Opções?
Mínimas.
Quero aqui e agora,
Com você, e mais ninguém.
Saia pensamento,
Saia louco desejo,
Não consigo respirar,
Não paro de pensar,
Parece ser longo e torturante,
Parece não findar.

Porque te querer, me faz mal, somente isso, muito mal.

12.10.09

Holiday´s Night

Em plena véspera de feriado ficar em casa, é no mínimo desperdício, falta de criatividade, depressão, e afins...

Mas como não posso reclamar de companhias (?), estava com duas opções, e sem querer, tive que deixar uma delas...
Mas foi divertido, ao menos, eu aproveitei, e se aproveitei.
A dúvida era grande, afinal, estávamos no circuito Augusta, Bela Cintra, e por ali, entre aquelas bandas, opções diversas, para todos os gostos, como é sempre proporcionado, mas de fato estava difícil agradar a todos, especialmente porque haviam "caretas", "topo tudo", e "porra louca", ou seja, quase que impossível agradar a todos, aliás, foi difícil agradar, mas fazer o que? Tomar cafezinho à uma da manhã não faz muito o meu estilo, principalmente quando algumas garrafas de cerveja já desceram, enfim...


Decidimos descer a Augusta, e o destino fora focado;
música eletrônica. Okay, não haviam muitas opções, mas as que tinham, seriam divertidas, fato. A primeira estava meio fora do orçamento, optamos pela segunda..., como disse anteriormente, nem sempre se agrada a gregos e troianos, mas sinceramente? Pouco me importa, mesmo porque, estava divertido, as pessoas como sempre muito simpáticas e receptivas, a música estava muito boa, e eu curtindo, deveras.


A noite foi se passando, e com ela mais risadas e episódios toscos, estes que não se fazem necessários citar.

Foi tudo muito bem tudo muito bom.
Madrugada de feriado animada.
Fadiga no dia seguinte.
Valeu a pena.

11.10.09

Calçada

Que falta faz postar aqui!!
Esta merda de computador anda dando problemas e mais problemas. Urgh!!

Muitos acontecimentos, muitas conversas, aspectos mudados e diferentes, novas frases, suspiros, pensamentos ainda mais insanos, e é claro, algumas manhãs da velha ressaca...rs.
Mas está tudo bem, aliás muito bem mesmo, apesar de algumas dúvidas ainda estarem presentes, e o saco meio cheio, estou bem, bem, bem, bem...

Ah, isto está soando meio gay, eu sei, mas eu estou com um humor realmente bom, hoje!
Ontem rolou showzinho básico, risadas, pouca bebida (raro!!rs), e outras cositas a mais.
Hoje talvez Led Slay, mas ainda é suposição. Afinal, open bar é sempre bem vindo, e com boa companhia então, nem se fala!

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Ando por entrelinhas,
Tropeçando em meus próprios passos,
Olho para a calçada sem saber exatamente as cores que nela estão presentes,
Olho para o lado,
Vejo que os que me acompanham estão no mesmo estado,
Olho para os letreiros acesos e uma mistura de cores me aparece muito rápido,
Tudo está psicodélico,
Estou delirando,
Eu acho.

O cheiro de uísque me consome,
Preciso de uma última dose,
Mas mal consigo andar,
Quem dirá pedir uma última dose,
Olho para minha amiga que está tentando andar,
Ela me olha,
Tomada por toda embriaguez,
Abre um sorriso,
Me pede uma última dose,
A última da noite.

Lhe concedo este último pedido,
Paramos no boteco mais sujo daquela rua,
Pedimos o uísque mais barato,
Tomamos em um só gole a dose,
Saímos cambaleando ainda mais,
Entramos no metrô,
Ela, minha amiga,
Desce na estação que lhe pertence,
Eu,
Eu?
Não me recordo como cheguei em casa,
Só sei que cheguei bem,
E com todos os meus pertences.

1.10.09

Sorriso Contente? Descontente?

Sorriso,
Contente? Descontente?
Já não sei mais se ele ainda permanece por aqui...

I just don´t know what to do with myself,
I just don´t know what to do with yourself,
I just don´t what to do with ourselves.

Faltou paciência,
Atitude,
Coerência?
Não sei o que de fato aqui faltou.
Sei que sei lá, faltou.

De tua parte,
De minha parte,
De nossa única e esperada parte,
Nos faltou um beijo,
Um anseio ainda maior,
Nos faltou coragem,
Nos faltou algumas outras coisas a mais,
Nos faltou um beijo.

De tua parte,
De minha parte,
Nos faltou,
Nos faltou um beijo.

Sorriso,
Contente? Descontente?
Palavras iam e vinham em minha boca,
Não consegui pronunciá-las...
Nos faltou um beijo.

E este receio absurdo de como me portar com você,
Ainda me mata,
Me castiga,
E ainda sim,
Nos faltou um beijo.
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Volta para casa meio frustrada, meio cheia de querer, meio cheia de desejo, meio cheia de palavras, meio boca cheia, meios pensamentos, meia, ou completa volúpia, ainda não sei, sei apenas que foi assim.

30.9.09

Mais um mês terminando, mais um dia na metade...Até que setembro foi agradável, tirando isso ou aquilo.
Não tenho nada de mais a escrever, somente minha falta de atitude e incapacidade de falar quando de fato se faz necessário. Fora isso, acho que anda tudo em seu lugar, ou quase.
Não muito do que me queixar, afinal, semana que vem estarei com meu novo all star, já é um motivo e tanto para sorrir.
Não tinha o que falar, o texto ficou pobre e sem nexo, para quem não sabe sobre a situação atual, mas acho que ficará assim mesmo.
Talvez eu poste algo mais tarde, se a preguiça não me atingir.

27.9.09

Comentário alheio (?)

Já faz tempo que eu não sei muito bem o que dizer, há que hora dizer, e em que dia dizer, anda tudo meio confuso por aqui, não consigo parar de pensar em quais conselhos dar, quais músicas cantar, já que tantas andam circulando por minha mente, nem sei ao menos que dia é hoje, e o porquê de estar usando tantas vírgulas.
Não sei se falo, se me calo, se me mostro, se gosto, se desgosto, se amo, se odeio, se finjo, se digo a verdade, se me faço de boa, ou de má, ou ainda de verdadeira, ou cética, sei lá, acho que me faço de tudo as vezes, ou me faço de nada.
Ah...sei lá, para que ficar pensando tanto?
Cogitando tanto?
Faz tempo que eu me encontro nestas tantas entrelinhas, faz tempo que eu acordo com dúvida em pelo menos um aspecto da minha vida, faz tempo que eu acordo assim, cheia de interesse, ou cheia de desânimo, com vontade de sorrir, ou de não olhar na cara de ninguém.
Faz algum tempo que...

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Este fim de semana anda bom até..., ontem ao menos foi muito bacana!
Ajudei a arrumar a casa pela manhã, um saco, como sempre, mas até que não foi dos piores dias, teatro a tarde, inclusive, farei a propaganda.
A peça chama-se Espiral do Tempo, as 16 horas aos sábados e domingos, entrada franca. Teatro do Sesi, Av. Paulista.
A noite, inauguração da loja de uma grande amiga, que está de parabéns, tudo está lindo e as roupas idem. Pretendo comprar vestidinhos novos, logo.
Ah...acho que foi isso, não vou ficar também citando detalhes e mais detalhes, afinal, isso não é um diário, right?

23.9.09

Pedaço de um pensamento.

É de manhã,
Ainda muito cedo.
Meus pés estão gelados,
E a gaveta de meias está muito distante.

Olho para Alfredo, o meu gato,
Todo jogado aos meus braços,
Posso me mover do modo mais grosseiro,
Que ele provavelmente, nada fará,
Ele está tão quente que tenho até dó de assustá-lo,
Mas não há outra opção;
Meus pés congelam!

Me levanto,
Pego o par de meias,
As calço,
Vou até o banheiro,
Faço meu xixi matinal de todo dia,
Lavo minhas mãos,
Me olho no espelho...

Não consigo ter uma visão clara do que estou vendo,
Meus cabelos desgrenhados ao extremo,
O delineador,
Que na noite passada fizera sucesso,
Está contornando meus olhos por inteiro,
Estes, estão bem pretos,
Efeitos da maquiagem borrada, é claro.
Mas meus lábios,
É,
Meus lábios... estão intocados,
Estão vermelhos,
Carnudos,
Atraentes,
De fato o batom é bonito.

Ameaço um sorriso,
Minha face vai se modificando,
Tento sorrir de verdade,
Me sinto mais bonita,
Talvez até,
Mais mulher.

É engraçado me ver desta forma,
Mais mulher,
Sendo que aqui por dentro,
A interpretação é diferente,
É mais lúdica,
Acho que me perdi nesses pensamentos,
Nesta visão,
Ando falando por demais...
(risos)

21.9.09

Rua

Show com você?
Não.
Café com você?
Não mesmo.
Cinema com você?
Nem sob ameaça.

Eles estavam encostados na árvore mais velha que tinha naquela rua sem saída, escura e fria.
Ele a olhava.
Ela, desviava.
Ele, a convidava mais uma vez:
-Vamos, só um café?
Ela o olhava furiosa:
-Já disse que não.
Ele, tentava abraçá-la.
Ela, o empurrava enfurecida.
Ele, soltava as mãos dela e saía pela rua afora.
Ela, o puxava fortemente pela camisa velha.
Ele, a olhava interrogado.
Ela, o beijava com força, brava.
Ele, se divertia com aquela fisionomia.
-Te odeio. Ela dizia.
-Idem. Ele respondia
-Sai daqui. Ela estava muito nervosa consigo.
-Eu saio.
E num impulso, ele a encostou na árvore, olhando diretamente em seus lábios. Ela tentou escapar. Ele a pressionou ainda mais. Ela já não conseguia mais resistir. Ele a beijava no pescoço, ela, o mordia em resposta. Ele a olhava inocentemente, ela, possuía a cólera. Ele, sorria com a beleza dela, ela, sorria com malícia.
-Quero mais. Ela disse num ímpeto.
E quando ele estava prestes a possuir aquele corpo tão desejado, quando ela finalmente fechava seus olhos aguardando a resposta, o despertador tocou.
Ela, acordou mais uma vez frustrada, com todo o desejo ainda carregado naquele corpo pequeno e delicado.
No outro lado da cidade, ele, acordava assustado, cheio de desejo, farejando aquele cheiro.
Ela mordeu o lábio inferior, lembrando do sonho.
Ele se ajustava na calça.
O telefone tocou.
Ela não esperou o segundo toque.
Saíram os dois, de súbito.

A árvore,
A rua,
Duas sombras,
Um beijo roubado,
Duas sombras,
Movimentos misteriosos,
Duas sombras,
Desaparecidas na fraca iluminação daquela rua sem saída, escura e fria.


Marina Queiroz.

13.9.09

Brincadeira

Eu já sei,
Quando acordar, o cheiro do café não estará entrando no meu quarto,
Eu já sei,
Quando acordar, o seu rélogio de pulso não estará na mesinha de cabeceira,
Eu já sei,
Quando acordar, não irei escutar o barulho do chuveiro,
Eu já sei,
Quando acordar, não irei observar o modo como você respira,
Pois é, eu sei,
Quando acordar, você já terá ido.

Ainda não sei,
Como você aguentava as minhas tolas palavras,
Ainda não sei,
Como você aguentava aquelas minhas gargalhadas estranhas,
Ainda não sei,
Como você aguentava minhas drásticas mudanças de humor,
Ainda não sei,
Como você conseguia tomar aquele café que eu havia feito há dias,
Eu, ainda não sei,
O que lá você fazia.

Aliás, eu sei bem, o que nós dois lá estávamos fazendo,
Estávamos brincando de se gostar,
Brincando de se amar,
Brincando de se tocar,
Brincando de se olhar,
Brincando de se testar.

Aliás, eu sei bem, o que nós dois ainda fazemos,
Nós brincamos de se machucar,
Brincamos de se magoar,
Brincamos de se chocar,
Brincamos de nos odiar,
Brincamos de nos afastar.

Ainda insistimos nesta tola brincadeira de nunca dizer o que é de verdade, ou que é de mentira.
Ainda insistimos em apenas deixar acontecer.
Ainda insistimos em fazer valer.


-Marina Queiroz

12:26 p.m

Manhã de sábado?
Cama, minha companheira.
Tarde de sábado?
Não consigo abrir meus olhos,
Este sono interminável.
Noite de sábado?

Hum...noite de sábado, mais agradável impossível.
Sarau da Camarilha com direito a amigos, uma mesa cheia, cerveja a valer, cigarros, papinhos descontraídos, e é claro um espetáculo de apresentações incríveis. Parabéns aos amigos que organizam, anda cada vez melhor este sarau, estarei no próximo!!

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Abro meus olhos,
Nada enxergo,
Está tudo girando,
Tudo num movimento absurdo.

Pára!

Já é tarde para o pedido.
Com todas as forças que me restam,
Tento em um tolo movimento levantar,
Mas minha cabeça pesa demais,
Meu estômago me consome desastrosamente.

Pára!

Já não da mais,
A ressaca me alcançou de tal forma que nem sei se conseguirei me mover,
Me encolho na cama como um feto,
Tentando minimizar a dor que já está presente,
Sufoco um gemido agudo vindo de minhas entranhas,
Acho melhor não me mover.

Volto a dormir.
Droga, me atrasei para o trabalho!

Isso foi verídico, aconteceu nesta quinta-feira, mas mesmo assim fui trabalhar. Nesta mesma manhã desta quinta disse a mim mesma que não iria mais beber, devido a dor no meu estômago, cheguei ao bar na sexta dizendo a mim mesma que iria apenas tomar uma coca-cola, quando lá cheguei, meus amigos estavam com duas garrafas de cerveja sobre a mesa, rindo e degustando deliciosamente aquela maldita bebida.
O garçom, que já é conhecido, se aproximou, me cumprimentou e perguntou?
-O que será hoje?
Minha mente dizia; coca-cola, coca-cola.
-Um copo, por favor.
É, preciso trabalhar mais meu lado racional.

8.9.09

Feriado, é, meu feriado.



Eu esperava de tudo, menos um feriado tão bom quanto este, me sinto melhor, bem melhor!!
Tudo começou cedo, vovó me ligou anunciando que me aguardava para um passeio pelo centro. Lá fui eu toda empolgada, me arrumar e tudo o mais, quando chegamos, surpresa. Não tinha quase nada aberto no comércio, o teatro municipal está em obras e as ruas estavam pouco movimentadas..., quando eu achei que de fato o passeio havia ido pelo ralo, vovó querida me surpreendeu; entramos na rua Aurora com o Lg. do Arouche e lá foi ela me contando tudo o que havia vivido em sua infância, os lugares, prédio antigos, e toda aquela memória que eu tanto invejo e guardo, até que paramos em frente a Dulca, uma antiga doceria que fica ali por perto, (não me lembro o nome da rua) entramos, tomamos um delicioso café, comi uma torta de damasco que me transportou para décadas atrás, os tempos de meninice de minha avó, foi delicioso escutar aquelas histórias antigas e poder observar como as coisas mudam, é impressionante.



Terminamos nosso passeio andando pela República e seus arredores. Resolvemos voltar, afinal, já não havia muito o que fazer por lá. Saímos do metrô e fomos para a casa da minha madrinha, eu a amo, juro, mas não estava mais aguentando aquele papinho, urgh!!
Quando finalmente eu começava e me desesperar, o celular tocou, e um convite foi feito, confesso que a princípio fiquei empolgada, mas depois...
Era um convite para ir ao Hangar, meus amigos disseram que as bandas eram legais e bla blá blá, resolvi entrar no site e confirmar as bandas, das cinco que estavam na programação eu conhecia uma, e mesmo assim, sabia que a banda era uma porcaria. Pensei em desistir na hora, mas ao mesmo tempo não queria ficar em casa, e queria encontrar velhos amigos.
Tá bom, eu vou.
Descemos no ponto, e quando estávamos descendo a rua, minha visão realmente não tinha me enganado, havia uma porção desta nova raça; emos. Pois é, muitos deles por lá, e eu, eu sei lá, brochei no mesmo instante, mas já que estava lá, não iria voltar para casa...




Quando achei que estava tudo perdido, vi uma senhora vendendo cerveja. Uffa! Ela iria me salvar, fiquei feliz, o Lê finalmente bebeu comigo!! (risos)
Terminamos a nossa lata e resolvemos entrar, a banda de abertura, chama-se Falsones, e me surpreendeu, é uma boa banda até, divertido o embalo, já as outras duas que vieram depois..., prefiro nem comentar, a quarta foi a banda Rezet, (a foto acima) gostei bastante desta, baladinhas dançante se letras muito bonitinhas, até que estava agradável, depois de algumas garrafas de vodka e cerveja.
A banda final foi essa de emo que comentei no começo..., sem comentários, idem.
Mas no final tudo deu certo e foi divertido até.
Cheguei em casa quase a meia-noite, cansada, exausta, mas contente!!

Fui dormir tarde, acordei cedo, não fui à faculdade, mas tudo continua bem, ao menos.
O flyer acima foi das bandinhas que tocaram, eu só estou postando para ficar provado que as bandas eram de fato uma merda, salvando somente duas delas.
Já escrevi demais, ficou muito diarinho, mas é isso.
Bom início de semana, para mim é claro. :P


7.9.09

Facas Voadoras - 1:54

Quis ir à frente no assunto
Mas aí perdi o rumo
O problema é que eu não anoto suas idéias
E agora, que eu faço?
Mais três goles e já são quase duas
E hoje mesmo, eu entendo, eu me rendo
Que demais as suas idéias
E no trigésimo sétimo gole
Ninguém mais se espanta por tão pouco
Carregar cadáveres a esta hora?
Que diabos!
Nem parece má-idéia...
E o sol já vai sair, querida
Que tal um último gole para recomeçar o dia?
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
É muito fácil se apaixonar por esta banda, o som é aquele típico rock dos 60, singelo, com batidas de uma bateria bem agradável, e o vocalista muito me agradou. (risos)

O fim de semana anda passando rápido demais, sem intensidade, sem muitas novidades, sem aquele up que eu realmente quero, mas mesmo assim foi muito bom, foi produtivo, me fez pensar a respeito de mil e uma coisas que há muito não cogitava. Acho que é isso.
Bacana este início de feriado.. (risos)
Piada interna, me perdoem..

4.9.09

3:40 p.m.

Semana corrida, louca, perversa em alguns momentos, mas, sobrevivi à ela. Trabalho, ok. Faculdade? faculdade? Pois é...
Não poderia deixar de citar a figura que vi hoje no ônibus.
Ele estava sentado antes da catraca, com uma mala de carrinho (essas de viagem), bermuda cáqui, camiseta em tons claros, e um chapéu estilo antigo, meio tropicalista que eu me apaixonei simplesmente. Ele tinha um olhar diferente, curioso, divertido até. E eu, como sempre boba, não conseguia parar de olhar para ele, e quando menos percebo, os dois em meio àquele ônibus lotado estão a se olhar, e trocar um sorriso breve, pois o meu ponto era o próximo. Não contente, desci do ônibus e olhei para seu interior, dei de cara com o moço olhando para mim, fiquei tão sem graça que chegou a ser engraçado até.
Ah...foi isso, meio sem graça eu sei, mas é porque não foi nada absurdo!!
Mas que ele era broto, ô se era...rs

Bom, ando meio sem criatividade, com sonhos um tanto quanto loucos, (o da noite passada foi bacana!) cansaço ao quadrado e início de gripe, espero que não a suína...rs.

Bom, o texto ficou uma bosta, estou chata, enfim, espero ter um fim de semana agradável e um feriado ainda melhor, até mais.

1.9.09

Somente velhas memórias.

Me transforme num rosto contente,
Me transforme numa face inocente,
Faça de meu sorriso doce encanto,
Faça de minha voz, eterno canto.
Ainda posso sentir o gosto do teu beijo apenas fechando meus olhos,
Posso me lembrar do seu cheiro com um rápido pensamento,
Posso ainda, me lembrar de você,
Em ápice de tormento.
E se após esta longa e tenebrosa tortura,
Lágrimas ainda insistirem em cair,
Se após esta loucura,
Minha tola memória insistir,
Em me desmembrar por completo,
Deixarei minha melancolia sair.
Deixarei todas as memórias doces e lindas irem embora,
Voltarem para algum lugar que ainda desconheço,
Voltarem para sua origem,
O meu interior,
Meu eu,
Voltarei a olhar para o horizonte sem nada a enxergar,
Voltarei para o "nada",
Sem "nada" a vislumbrar.
Marina Queiroz

31.8.09

4: 42 p.m

Nada quando programado funciona de fato.
Amar é exatamente assim,
Mas se acho que sou programada,
Será que conseguirei amar?

Isso me entristece,
Ou não?

A verdade é que não sei se já amei,
Se estou de fato, amando.
Ou se virei a sentir tal sentimento algum dia..

Espero desprogramar certos cálculos aqui dentro,
Afinal,
Sendo ou não uma máquina,
Ando cada vez mais indecisa e insana.

30.8.09

Baú de Memórias, Vagas Memórias..

Abro meu baú de memórias,

À procura do eterno e perfeito conto de fadas que tanto é dito,

Procuro, investigo, chego a ter a ilusão de que finalmente o entrei.

E quando chego no ápice desta ilusão,

Vejo que se encontrava somente no meu inconsciente mesmo.

Ali, onde se localiza a parte mais linda de toda a nossa fantasia,

Vejo que este conto de fadas anda sendo escrito e contado de uma forma diferente,

Bem ilusória eu diria,

Vejo que os bons olhos duram eternamente, apaixonadamente,

Vejo que nada se acaba,

Pelo contrário,

É apenas iniciado.

Mas aonde será que está esse conto de fadas?

Este, vive fugindo de mim.

Vive escorregando por entre meus dedos, mesmo eles estando bem fechados...

Será que ele não vai me dar um final feliz?

Será que ao menos um pedacinho desta história tão feliz ele não vai me emprestar?

Acho que não.

Maldito baú.

Ele não quer se abrir,

E olha que já tentei fazê-lo de todas as formas, com todas as chaves que possuo.

É, acho que de fato os contos de fada permanecem nos baús,

Bem guardados,

Bem fechados,

Para que quando o ele resolva se abrir,

Todos que estiverem ao seu redor possam degustar uma linda história,

Ou quem sabe algum fragmento dela,

Para que assim,

Quando o baú se fechar,

Alguém possa ao menos sorrir,

E voltar a fantasiar.

Marina Queiroz