8.1.10

Reflexo

Logo cedo, em uma manhã um tanto confusa, não fazia nem sol, nem frio, estava escuro ainda, meio fresco o ar.
Ela entrou no ônibus, rumo ao trabalho, pagou, passou pela catraca, e ficou em frente à porta de saída, aguardando a hora em que iria desembarcar. Quando algo a chamou atenção, seu reflexo na porta do ônibus. Justamente seu reflexo.
Ela se atentou aos mínimos detalhes, começando de seus pés, ela observou, e viu que eles ainda eram iguais, o mesmo tipo de tênis que ela sempre gostara de usar, com o mesmo tipo de laço, logo após, subiu a visão para suas pernas, essas que ela não havia reparado, mas estavam longas e vistosas, de aspecto muito bonito dentro daquela calça jeans um pouco mais justa, depois observou a parte superior de seu corpo, e o que vira, fora uma outra pessoa, ela já não possuía aquele corpo juvenil de outrora, havia encorpado, seu colo estava bonito no discreto decote de sua camisa pólo, que usara para trabalhar, seus braços longos, juntamente com suas mãos e dedos, que não haviam mudado muito, desde sua meninice, e por fim, ela se olhou nos "olhos", através do reflexo, e observou o quanto estivera mudando, o quanto estava diferente, definitivamente, aquele olhar pueril, de criança, havia desaparecido, no lugar dele, haviam dois olhos castanhos escuros, observadores, calmos, que se moviam com pequenos ruídos, pequenos movimentos, olhos atentos estes. Observou sua fisionomia por completo, e viu que de fato, aquela menininha que outrora estava completamente guiando-a, estava agora em seu interior, e apenas lá, já fora totalmente seu, um dia.
Agora, ela observava seus lábios, que haviam sido tão calados antes, agora, exibiam uma nova coloração, o batom que ela comprara no dia anterior, os lábios que agora, ela abria para citar ou comentar sobre algo, os lábios que agora, possuíam outra finalidade, serviam para os longos beijos que ela tanto ansiava, agora, ela já não era mais aquela menina de outrora, mas também não era a mulher que se olhava no espelho e se definia, ela ainda não saberia dizer o que é, quem era exatamente.

5.1.10

...Sei lá

De repente, a melhor opção, é a minha cama, com uma bela xícara de café, chocolates, e um livro.
De repente, nada mais faz sentido, e eu passo a desentender o que eu tinha montado em mente.
De repente, eu acho que nada mais vale a pena, nem palavras são suficientes.
De repente, eu me dou conta uma vez mais, nada consola o vazio.
De repente, eu já não possuo mais nada, apenas esses pensamentos, apenas ilusões.
De repente, tudo acabou.

De repente, eu fico aqui esperando, mas nada vejo.
De repente, ainda esperando, caio em mais uma tolice.
De repente, posso até ver algo, alguém, mas eles já não me enxergam.
De repente, estou caindo.
De repente, não adianta mais tentar, ninguém me ouve, ainda caindo.
De repente, tudo se acaba.

De repente, eu já nem lembro mais quem sou.

-Marina Queiroz

4.1.10

19:49



Inspiração para o início da semana...

Cat Power, divina como sempre.

Porque na falta de um bom violão, na falta de dom para o canto, e nas horas de tédio desesperador, há sempre uma boa música, uma luzinha no final deste túnel...(risos)

Isso porque 2010 seria diferente..., estou vendo. Tudo de novo, acordar cedo, aguentar conversinhas fúteis, pessoas ainda piores, e outras cositas mais. Até quando?

Preciso de um emprego novo, alguém? Alguém?¬¬

3.1.10

Máscara

Shhh!
Cuidado, ela vai tirar a máscara!
Shhh...

Não deixa ela te ouvir!
Shhh...

Ela não pode nos ver!

Por que se esconder atrás de máscaras?
Por que o fazer?
Por que não permanecer de cara e olhos límpidos?
O que uma primeira impressão não faz?

São mil e uma perguntas para simples e poucas respostas.
Eu queria tanto entender o que causo.
Eu queria tanto entender o que perturbo.
Mas ainda não me é permitido.
Está escondido.
No fundo desta mesma máscara.

Ela,
A máscara, pode ter mil e um significados, somos humanos afinal, poxa, temos o direito de nos transformar em algo, alguém, alguma hora, um dia quem sabe.
É tudo muito amplo, quase infinito, e só porque sinto vontade de brincar com minhas outras "personalidades", sou banalizada por isso?
Não, me recuso a aceitar.
Não o irei fazer.
Não irei escutar.

Sim, eu adoro brincar de ser um outro alguém, de assumir um personagem que está fora de mim, que fica só nessa criatividade que as vezes me aflora com muita força.
E eu, o irei fazer, sempre que sentir necessário, sempre que sentir vontade, sempre que meu humor o permitir.

Afinal, para que servem as máscaras?

2.1.10

Ele&Ela


Estavam os dois,
Nos degraus escuros,
Daquela fria escada.
Ele,
Começa a toca-lá,
Ela,
O fitava abrindo um sorriso.
Ele,
Invadia o corpo dela com as pontas dos dedos,
Ela,
Fechava os olhos devagar.
Ele,
Desabotoava o botão da calça dela,
Ela,
O tocava no alto das pernas.
Ele,
Baixava o zíper da calça dela,
Ela,
Ainda o tocava, com os olhos fechados.
Ele,
Percorria os dedos até o íntimo dela,
Ela,
Controlava a respiração,
Ou tentava fazê-lo.
Ele,
Tirava delicadamente a calça dela,
Ela,
Tirava delicadamente a camisa dele.
Ele,
A possuía com mil palavras e olhares de amor,
Ela,
O beijava em resposta.
Ele,
Continuava a possuí-la,
Ela,
Mal respirando, esboçava sorrisos.
Ele,
Transformava aqueles dois corpos,
Ela,
Ofegava, chegava a gemer de delírios.
Ele,
A beijava com prazer,
Ela,
Sorria para ele.
Ele,
Suava e respirava alto,
Ela,
Já não sabia mais aonde estava.
E o êxtase veio,
Olhos fechados,
Sons abafados,
Corpos suados,
Pensamentos acalorados...
E na janela daquele andar,
Escorriam pequenas gotas daquele louco suor,
Nos degraus escuros,
Daquela calorosa escada.
-Marina Queiroz
___________________________________________________________________
Depois da majestosa chuva, que eu tomei, diga-se de passagem, afloraram algumas palavras, aí, saiu algo assim...
Ou será que foi a realidade?
Já não me recordo, não conto. (risos)

18:34

Cá estou, estamos, em mais um ano, onde todos os votos são renovados, ou ainda, criados.
Onde toda a esperança, todos os desejos são desesperadamente feitos, em busca de um ano perfeito, onde tudo possa mudar, possa ser novo, como se acontecesse assim, num estalar de dedos. Há esperança ainda, isso é fato, mas há muita hipocrisia também, muita falta de coerência, muita falta de vontade.
Fadiga, fadiga...ainda estou com ela, por incrível que pareça, apesar de ter diminuído (risos).
O começo deste ano, as primeiras horas foram divertidíssimas, bebemos, brincamos, rimos, nos preocupamos, valeu tanto a pena, valeu tanto tê-los por perto. Foi divertido!
Espero de verdade que este ano seja um pouco menos hipócrita do que ano passado, onde eu a cada dia percebo que as pessoas não são confiáveis, triste, eu sei, mas é a nossa realidade.
Feliz Ano Novo à todos!
Por que não?

Have fun!

15.12.09

Pedido

-Dorme comigo essa noite?

Ele demora a responder,
Percebo que seus lábios se entreabrem,
Mas logo após de fecham,
Sem nada pronunciar.
Seus olhos ainda fitam minha boca,
Sinto a mesma secar.
Estamos um pouco ofegantes,
Sem o corpo, conseguir controlar.
E neste interim,
Peço meu último cálice de vinho da noite.
Ele, faz o mesmo.
Bebemos juntos, sem parar de fitar um, ao outro.

-Dorme comigo essa noite?

Me atrevo pela segunda vez.
Ele segura minhas mãos,
Beija uma delas,
E me conduz até seu automóvel.
Ele abre a porta,
Me sento sem uma palavra a dizer,
Ele,
Em seguida entra.
E o trajeto, nem sei qual foi.
Sei apenas,
Que acordei no meio da madrugada,
Com mais um beijo,
Que agora, ele me dá,
Em alguma cama,
De algum hotel,
Este,
Que não me recordo no momento.

Marina Queiroz

24.11.09

Som da Chuva

Você está escutando o barulho da chuva?
Está quase que impossível não reparar.
Fecho meus olhos,
Me imagino na calçada,
Tomando essa mesma chuva que ouço,
Olhos ainda fechados,
Está me dando uma vontade louca de chorar..
Na rádio?
Algum rock clássico,
Aquele em que a guitarra soa triste a música inteira, mas depois, se alegra,
O som agora está mudando um pouco,
Um misto de garoa e vento..
Hoje houve um fato estranho,
Não consegui sentir o cheiro da chuva,
Como sempre acontece,
Se bem que não seria assim tão estranho,
Meus sentidos andam me sabotando com uma frequência assustadora.
Marina Queiroz

14.11.09

Armação alheia?

Eles vivem me dizendo o que devo dizer,
Eles vivem me dizendo o que devo fazer,
Eles vivem me dizendo como devo me portar,
Como devo conversar,
Até mesmo, o modo como devo olhar.

Eles só me esquecem de dizer o que não posso pensar,
Ou o que penso em falar,
Ou como eu não posso agir longe de toda essa palhaçada.

Mal sabem eles, que por trás de tudo isso, estou armando a maior bagunça,
Para acabar com todos esses malditos da sociedade,
Que para mim,
Não passam de uns alheios, sem emoção na vida, envelhecendo dia após dia,
E eu,
Eu só dou risada das tolas e estúpidas atitudes,
Mal sabem eles que não acordarão no dia seguinte,
Não irão degustar o café da manhã requintado de todo dia,
Não irão dirigir seus carros caros e finos,
Não irão sentar em frente ao computador de última geração que está sobre a mesa de escritório de madeira fina.
Não irão!!!

E eu?
Eu continuo aqui,
A rir destes tolos,
Continuo a rir da falta de dinheiro,
Do excesso de cerveja,
Da criatividade que anda aflorada,
Das longas conversas,
Dos bate-papos de sacanagem,
Das risadas encantadoras,
E das luzes da cidade, que eu pensei que não se acabavam,
Mas que me pegaram de surpresa um dia desses...



-Marina Queiroz

2.11.09

Último Trago (?)


Roda tudo rápido,
Roda tudo em diversos ângulos,
Não consigo me focar em nada,
Não consigo olhar para nenhum olhar específico,
A luz está intensa,
Sinto minhas pernas adormecidas,
Mas não quero sair daqui,
Tal picodelia está me dando um certo e estranho ânimo,
Tateio meus bolsos à procura do meu maço de cigarros,
Merda,
Meus cigarros acabaram,
Alguma alma pode me arrumar um último?
Merda,
Não tem ninguém fumando aqui,
Meu estômago revira,
Minha boca está seca,
Tomo um violento gole de cerveja,
Mas ainda não bastou,
Saio andando meio turva,
Olhando para todos e nada enxergo,
Nenhuma desgraçada bituca,
Nenhuma fumaça,
Cadê o cheiro do tabaco?
Inferno!
Estou me perdendo,
Meus joelhos estão perdendo a força ainda mais rápido,
Estou caindo...
De repente,
Quando não sentia mais nada,
Tomei um puxão violento,
Fazendo eu subir novamente àquela superfície psicodélica,
E sem ter tempo algum,
Senti minha mão entrelaçada à este estranho (a),
E sem me importar,
Fui,
Passamos por uma pequena cortina de veludo marrom,
Velha, e encardida,
Eu ainda não enxergava muito bem o estranho (a),
Sei somente,
Que segundos depois,
Havia um cigarro na ponta de meus lábios,
E o fósforo brilhava fraquinho,
Acendendo aquele cigarro que eu não sabia de onde vinha,
Mas após o primeiro trago tudo mudou,
E eu voltei a respirar novamente,
Voltei a querer beber,
Beber meu último gole de cerveja,
Tragar o meu último cigarro,
E roubar o último beijo da noite,
Antes de sair daquela loucura,
E ir parar em um lugar desconhecido,
Aliás,
Como foi mesmo que eu cheguei em casa?
(risos)
Acho que estou me lembrando...
Digo mais,
Me lembrando de quase tudo,
Inclusive, de...
Bom dia!